28.3.07

Críticas de Invenção: Os Anos do São Paulo Shimbun

Segue abaixo o artigo que escrevi para a Paisà (em versão um pouco maior), número 3, sobre o livro do Jairo. Aliás, quem ainda não leu, faz o favor de passar na livraria. (JT)


Autor: Jairo Ferreira e convidados. Organização: Alessandro Gamo. Editora: Imprensa Oficial. 288 páginas

Críticas de Invenção (não confundir com o Cinema de Invenção do mesmo autor) é a esperada compilação de artigos que Jairo Ferreira publicou de 1966 a 1972 no São Paulo Shimbun, jornal da comunidade japonesa. São 91 textos (acrescidos de um belo artigo posterior sobre o papel da crítica) em que Jairo mapeia, classifica, hierarquiza e vislumbra caminhos para certo cinema brasileiro, especialmente o produzido na Boca do Lixo paulistana.

Há, por exemplo, um valioso diário da Boca, cobrindo generosamente os filmes de gente como Sganzerla, Reichenbach, Trevisan e Callegaro (só faltou na seleção um bom texto sobre Ozualdo Candeias). Ao mesmo tempo, vemos um Jairo implacável com os “cineasnos” sem talento, os conteudistas (o realismo crítico), os arrivistas (Khoury, Biáfora) e o cinema novo.

Fosse apenas o inventário crítico deste cinema que vai do udigrudi ao “embrafilmismo” acadêmico, Críticas de Invenção já seria notável e apaixonante – porém bastante datado. Não falamos aqui, no entanto, de “bananeira que já deu cacho”, como diria Jairo. O dado mais importante a se reter talvez seja o processo de criação de um repertório e sintaxe críticos muito próprios. Pois ao longo dos textos, é como se Jairo fizesse sua pedagogia de iniciação: há uma clara passagem do figurativo ao abstrato. É aqui que o livro encontra não apenas seu grande prazer de leitura, mas uma resposta aos dias de hoje.

Da expressão mais ou menos estável e linear, vemos portanto explodir uma verdadeira escritura de invenção: crítica via poesia, colagens, neologismos, pseudônimos e siderações extremas. Em parte, é como se para marcar suas escolhas ele fizesse questão de escrever como não se deve escrever. Em parte, também, era sua maneira de praticar o “mimetismo total entre criação & vivência” – o que justificava um texto empírico, mais assertivo do que argumentativo, sem qualquer distanciamento crítico, como num caderno de notas.

A se lamentar em Críticas de Invenção apenas as contingências editoriais: cerca de um terço dos artigos originais estão aqui reproduzidos (alguns cruciais ficaram de fora), e o desejo é que houvesse um livro mais completo.

1 Comments:

At 05:21, Anonymous Anônimo said...

necessario verificar:)

 

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